13 outubro 2008

Pranto


Estou perdida.
Embriagada.
Ensandecida e inebriada.
Fazendo poesia
pra fazer você ficar.
Morrendo todo dia
Ao te ver sem te tocar.
Eu vou te prosear
Te apoiar
E te escutar.
Talvez eu aprenda a te cercar.
Mas o espaço
Nesse abraço
É pra evitar a dor.
Como pode eu te amar tanto?
Eu vou só secar meu pranto
Pra depois morrer de amor.



Florence Guedes

17 agosto 2008

Ele foi, sem pensar no que ficou pra trás.
Tirou da gaveta velhas fotos desbotadas,
deixou espalhadas,
como aqueles rascunhos amassados
de uma dor que já passou…
Ficou no ar o eco de tantas palavras sem som,
do tanto que não foi dito,
como um zumbido irritante em meu ouvido,
um agudo tão constante…
Foi, e o tempo passa, passa
sem passar nada mais que me faça
passar essa falta que me faz
sentir suado em mim o perfume gasto,
o gesto desfeito, o defeito do traço
e um de repente perdido
no vazio do espaço,
nessas rimas óbvias, lugares tão comuns,
tão clichés como um fim de novela…
Foi, e deixou por fazer a cama,
a grama, a dança, a canção,
um risco na palma da minha mão…
Deixou um monte de versos soltos
que sozinha eu tento, eu tenho que juntar
por ele, uma árvore pra plantar,
um livro pra escrever por ele,
um filho pra ter, por ele
um sonho pra acordar, por ele
uma vida pra viver
e dele, a distância de uma vida…

(sem dele ter a paz de sorrir o amor ao meu lado)



_(mais um trago)
…e eu só queria que essa dor se desmanchasse no ar
como a fumaça espalhada nesse imenso vazio do nunca mais…

13 agosto 2008

A você,
que frequenta meus sonhos
me fazendo sonhar
e não mais querer acordar...
A Você,
que vive da noite,
traz alegria às pessoas a sua volta,
Sua música é sua paixão
Tem nome de anjo
mas me enfeitiça com seu som...
É a fonte da minha inspiração
É a poesia mais bela
O presente mais quisto
O sorriso mais desejado
O desejo mais contido
O abraço mais apertado
As mãos mais carinhosas
O beijo mais esperado
A vida em liberdade
É o pássaro que voa
em busca de coisas novas
Mas sempre volta
Com aquele mesmo olhar
Com aquele mesmo jeitinho
Querendo um pouco de carinho
É Você a pessoa que quero ao meu lado
É com você que quero acordar
e abraçado com você dormir
Você me dá coragem
para superar todos os obstáculos
Enfrentar os desafios
Em você me fortaleço
E cada momento juntos me revigora
Me mantém viva
Me fazendo mulher
Mas mantendo a menina
A menina doce,
inocente,
pura,
apaixonada,
apaixonada por mim,
Por ti
e pela vida!

09 agosto 2008

Sapatilhas

Sapatilhas

Eu tenho pena da bailarina
Que tanto se arrumou
Que tantou ensaiou
E o soldado de chumbo
Nem reparou ela dançar
Ela chegou em casa triste
E esse amor que ainda insiste
Em seu corpo dilacerar
Pobre bailarina
Menina
Criança.
Depositou esperanças
Aonde não havia mais.
E ela prende lembranças
Com os dedos alcança
Não as deixa para trás
Bailarina, heroína
Bailando coisas da vida
E toda essa arte maluca
De fingir que não machuca...
Foi tanta atuação
E a sua alma, ali, morrendo
A luz no seu coração
Esvanecendo, esvanecendo...
Agora tira, bailarina
Toda essa purpurina
Toda essa tinta, bonita
Que lhe embelezava a tez
Arranca esse vestido
Fingido
Que o sonho acabou
Pesadelo se tornou
Sua dança se desfez.
Eu nem queria lhe falar
Porque sei que dói demais
Mas pendure as sapatilhas
Pois não vai sapatilhar
Para o soldado jamais.
A magia terminou
O baile acabou
E a dança foi em vão.
E agora, bailarina
Não desatina.
Pendura as sapatilhas
Coloca os pés no chão.

Florence Guedes

09 julho 2008

d e s p i d a

despida
me
despeço
de
mim

eu
enfim

infinita
mente

divina
mente

nua

15 junho 2008

...

Tenho medo do vento
Da chuva fria que aquece
Do que finjo não ter
De ser, de esqueço, do tempo.
Me apavora a solidão confortável
O barulho vazio
O pingar da água
O vermelho do estio
Onde deito escurecida.
Me apavora o amor que espalho
Sem nem sequer saber que tive…
Essa inocência querida
Essa porção reservada.
Me apavora o que não acredito
O que lembro distante
O que passa apressado
O que não consigo constante
O que me faz achar graça.
Me apavora a pisada
Na terra tão nua
Tão crua de paz.
Me apavora o pensamento preciso
O instante indeciso
O vácuo nos braços
Que se fecharam depois…
Tenho medo do sono
Do sonho bem-vindo
De acordar no domingo
Sem nada nas mãos.
Tenho medo da lua
Da noite mais bela
Da cor amarela
De um girassol.
Tenho medo do pavor
De ter o medo que tenho
E ser medo assim
Amando demais
Perdendo demais
Ganhando mais
Do que cabe em mim…
(e essa vontade de chorar…)

26 maio 2008

Telas e cafés.

Bom, é a minha estréia aqui nesse café, então vou tentar postar alguma coisa bem alegre!
Ontem de manhã eu resolvi pintar. Não sou boa nisso, mas me divirto pintando, e isso já é o suficiente pra animar o meu dia inteiro! E, entre uma cor e outra na tela, eu fui rabiscando umas palavrinhas sobre o que eu estava fazendo...


Pintando o sete

Eu tinha uma tela
Nua
E crua.


Eu tinha uma tela
Pálida
Eu tinha uma idéia
Válida.
Eu tinha uma tela
Inanimada
Mas tinha uma idéia
Válida.


Eu usei um macacão azul
Que depois ficou colorido
Nos meus dedos, tantas cores
Assim como em meu sorriso...
Eu cantei por toda a manhã
Enquanto dava uma alma à tela
Era branca, era uma chance
E foi ficando, assim, tão bela

Eu tinha uma tela
Rosada
Eu tinha uma idéia
Usada
Eu tinha uma tela
Crescente
Eu tinha uma idéia
Na mente.

Eu fui fazendo cogumelos
E fiz uma clave de Sol
Fiz uma fada tocando
Flauta em um girassol
Aos poucos foi tudo ganhando
A vida que eu queria dar
Flores na tela dançando
E uma brisa leve a soprar

Eu não tinha mais uma tela
Sem vida
Eu tinha apenas poesia
Linda.
Eu não tinha mais uma tela
Sem graça
Eu tinha um lugar só meu
Minha praça

Eu fiz sabores e fiz sons
Fiz um céu que não tinha fim
E eu poderia jurar
Que aquela fada sorriu pra mim
Eu fiz um caminho no ar
De notas musicais
Fiz borboletas e libélulas
Círculos e espirais
Nessa manhã de domingo
Eu me senti um pivete
Foi sorrindo e cantando
Que eu pintei o sete.

Da tela branca
Eu fiz baluarte.
Eu tinha a vida,
Eu tinha a arte
nas mãos.


(Florence Guedes)


***

E, já que é de praxe
Pedir café por aqui
Quero o meu com biscoito
E coberto com chantilly!

25 maio 2008

ande sempre para o sol

Silenciosamente, o caminho parece mais longo, os passos ainda mais raros, o objetivo torna-se ainda mais atraente.

Há alimentos para o corpo em tudo que não se move, há alma nas árvores, há o espírito da luz. A imagem que se torna ao redor é a sua e o que se toma como segurança é o que o faz enfrentá-lo.Adoraria escutar o som das luzes, a voz dos roucos, a vibração do sol.

Faria de tudo para tremer meus pés junto à terra escura e úmida, a fim de impressionar meu corpo que estaria engendrado no tempo. Sustentaria o excitamento dos meus olhos ao tocar o que é real para eles e, imaginando o melhor, escolheria uma razão para encontrar meu amigo perdido.

...Ficariam lindos os céus, cujo as núvens se entrelaçam para dissolverem-se....Tornariam-se ainda mais atraentes as frases perfeitas, se não fossem ditas com tanta ansiedade.

Falta coragem para encarar a liberdade e sobram saltos para a descoberta de novos anseios. Como se experimentar o sal da sombra fosse o contrário de uma dúvida, onde há sempre uma expressão. Então, até quando os ouvidos permanecerão fechados para possíveis e doces realejos?

Somente um andar nupcial para o reencontro do seu corpo com o universo te fará chegar. Uma conexão alada, uns versos sem nada, fotografias armadas...assim será.

Ande sempre para o sol que engole teu sorriso e te leva ao luar, que promete segredos, que desdenha o pensar. Cruze suas pernas, saiba extamente onde está, deseje a paz sem sentido, mas sentindo...sinta o que for irreal, conclua o amor por você.

O sol é...dentro de...sempre com...perfeito para...encontre você.




_um café quase gelado, direto do cerrado.

24 maio 2008

Cantador e Bailarina

(todo samba, cada esquina)

Ela some, ele distância
Ela ama, ele ainda
‘inda que parece que finda
Ele pega a rua e vai
Ela pára no ponto e agonia
Em meio o trânsito da lua
Ela, bailarina em cada samba
Ele, cantador de toda esquina
Rodaram no salão sem melodia
Pegaram seus caminhos (sem guia)
E foram…, um lado e outro
Sonata em fuga, contraponto de Bar

Ela quer sambar pela noite
Virar os olhinhos que ele não vê
Ela quer fingir
Veja não
Sai por aí derramando a razão
De tanta insensatez
Ele vai se entregar num canto
Rir a emoção, ela não vai perceber
Ele quer partir
Ouve não
Entra por aqui espalhando a paixão
De tanto invés

Disseram que é delicada
Falaram que é um bom moço
Acharam que tinha um mote
Ensejo em cada retorno
Gente enganada de poesia
Ela vai pretender que não liga
Ele vai procurar distração
E todo mundo acredita
Que essa coisa de amor…, nada não
Ele é cantador, ela é bailarina
Ela baila cada esquina
Ele canta todo samba

(Ai se soubessem como se encontrar…)

Clarisse Lourenço

_Um café-moça, nesse dia frio, esse Dia Nacional do Café...!

["...ela desatinou... viu morrer alegrias, rasgar fantasias, os dias sem sol raiando... e ela inda está sambando..."]

13 maio 2008

Se as coisas fossem mães

Silvia Orthof

Se a lua fosse mãe, seria mãe das estrelas.
O céu seria sua casa, casa das estrelas belas.

Se a sereia fosse mãe, seria mãe dos peixinhos.
O mar seria um jardim e os barcos seus carrinhos.

Se a casa fosse mãe, seria a mãe das janelas.
Conversaria com a lua sobre as crianças estrelas

Falaria de receitas, pastéis de vento, quindins.
Emprestaria a cozinha pra lua fazer pudins !!!!

Se a terra fosse mãe, seria a mãe das sementes.
Pois mãe é tudo que abraça, acha graça e ama a gente.

Se uma fada fosse mãe, seria a mãe da alegria.
Toda mãe é um pouco fada...

Nossa mãe fada seria.
Se a bruxa fosse mãe, seria uma mãe gozada;

Seria a mãe das vassouras, da família vassourada.
Se a chaleira fosse mãe, seria a mãe da água fervida,

Faria chá e remédio para as doenças da vida.
Se a mesa fosse mãe, as filhas, sendo cadeiras,

Sentariam comportadas, teriam boas maneiras.
Cada mãe é diferente. Mãe verdadeira ou postiça,

Mãe vovó ou mãe titia,
Toda Mãe é como eu disse!

Dona Mamãe ralha e beija, erra, acerta, arruma a mesa,
Cozinha, escreve, trabalha fora,

Ri, esquece, lembra e chora,
Traz remédio e sobremesa...

Assim é a minha mãe !!!